Cidades

Testemunhas relatam supostas agressões e réu nega participação na morte da criança durante júri

Depoimentos desta segunda-feira (19) trouxeram relatos sobre possível violência contra o menino

Por Lucas França com Tribuna Hoje 19/10/2026 15h36 - Atualizado em 19/10/2026 15h43
Testemunhas relatam supostas agressões e réu nega participação na morte da criança durante júri
Réu Manoel Pedro Tavares de Souza, conhecido como Peu, nega o crime - Foto: MP/AL


O julgamento do caso Rhavy Abraão, encontrado morto em cima de uma cama aos 2 anos de idade, em 2025, em Maceió, teve novos depoimentos nesta segunda-feira (19), com a oitiva de testemunhas e o interrogatório do réu Manoel Pedro Tavares de Souza, conhecido como Peu. Durante a sessão, foram relatados possíveis episódios anteriores de agressão contra a criança, o comportamento dos envolvidos antes e depois da morte e as circunstâncias em que o menino teria sido encontrado.

A mãe da ré, Valéria Costa Lima, afirmou em juízo que nunca presenciou o ex-genro agredindo a criança. Segundo ela, durante o período em que conviveu com a família, ele permanecia a maior parte do tempo no quarto e tinha pouco contato com os demais. Apesar de dizer que nunca viu o homem praticar qualquer violência contra Rhavy, declarou acreditar que ele possa ter sido o responsável pela morte.

“Ele ficava sempre no quarto, mas nunca vi fazendo nada de errado com eles”, afirmou ao ser questionada pelo juiz Geraldo Amorim sobre a relação do ex-genro com a criança.

A testemunha também relatou que Nicole teria contado que, no dia da morte, alimentou os filhos e os colocou para dormir antes de sair de casa. Conforme a versão apresentada pela mãe da ré, a filha teria ido lavar roupas na casa de uma irmã e, posteriormente, à academia.

Outra testemunha ouvida foi Williams da Silva Braga, arrolado pelo Ministério Público. Ele afirmou ter ouvido de vizinhos relatos de que Nicole agredia os filhos, mas ressaltou que não presenciou essas situações diretamente.

(Foto: MP/AL



“As crianças viviam muito soltas na rua. E os vizinhos diziam que ela batia muito neles. Eu nunca vi nenhuma agressão, só me contaram”, declarou.

Williams também relatou um episódio em que viu Rhavy com os olhos avermelhados. Segundo ele, ao perguntar o que havia acontecido, Nicole teria dito que a própria criança havia colado os olhos. O depoente afirmou ter questionado a explicação, pois não teria visto cola nas mãos do menino. Ao responder à promotora, reafirmou que a criança estava com os dois olhos colados.

A testemunha disse ainda que o casal era pouco sociável e alegou que ambos faziam uso de maconha e cocaína. Segundo ele, na noite anterior à morte, os dois consumiram bebidas alcoólicas e publicaram imagens nas redes sociais. Williams também afirmou que esteve na residência naquela ocasião e comprou drogas de Peu.

Sobre o momento em que a situação de Rhavy teria sido percebida, Williams relatou que Peu lhe contou que estava dormindo quando Levi o acordou e avisou que o menino estava estranho.

Uma segunda testemunha afirmou ter presenciado, em uma residência anterior, situações em que Nicole teria batido na criança, puxado seu braço e colocado o menino para dentro de casa. Ela também disse ter ouvido da mãe que Rhavy havia caído da cama e apresentado inchaço na cabeça. Segundo o relato, Nicole teria contado que deu refrigerante ao menino e o colocou para dormir.

A testemunha também comentou o comportamento de Nicole após a morte, dizendo ter considerado incomum a forma como ela reagiu nos dias seguintes. As declarações sobre o comportamento da mãe foram apresentadas como avaliações pessoais da depoente.

Durante o interrogatório, Peu admitiu que não trabalhava formalmente e que atuava no tráfico de drogas na região. Questionado pelo juiz Geraldo Amorim, reconheceu a atividade.

Foto: MP/AL



“Para ser sincero ao senhor, eu não trabalhava, eu era traficante na área. É vergonhoso para mim, mas é a verdade e eu não vou negar aqui”, afirmou.

Sobre a morte de Rhavy, o réu negou ter cometido qualquer violência contra a criança e acusou a ex-companheira. “Eu nunca ia ter essa coragem de fazer nada com uma criança”, declarou.

Peu afirmou que estava dormindo quando Nicole saiu de casa e deixou os filhos. Segundo sua versão, ele estava em sono pesado e não sabia que a criança havia sido deixada no quarto com ele. O réu também contestou o relato atribuído à ex-sogra sobre o episódio envolvendo a cola nos olhos do menino.

Ao falar sobre a noite anterior à morte, Peu disse que começou a beber por volta das 14h e foi dormir aproximadamente às 20h, porque não aguentava mais ficar acordado. Confirmou que Williams esteve na residência e que vendeu drogas a ele. Também afirmou que Nicole teria dito que permaneceria acordada para dar banho nas crianças e arrumar a casa, já que o filho mais velho teria aula no dia seguinte.

Os depoimentos apresentaram versões distintas sobre a convivência familiar, possíveis episódios anteriores de violência e as circunstâncias da morte de Rhavy. As declarações feitas em plenário integram as provas submetidas à análise dos jurados durante o julgamento.